Como tinha prometido, vou contar um pouco da minha virada 2008/2009, ufa!!
Antes de começar a escrever sobre tudo o que aconteceu entre os dias 31/12/08 e 01/01/09, é necessário que eu volte um pouco no tempo. Cerca de uma semana antes....
Tudo certo para a viajem de Porto Alegre à Capão da Canoa, onde passaria o reveillon à beira mar junto com amigos. Para que isso ocorresse sem maiores problemas, precisaria levar o Nando (meu carro) em uma revisão pegando a estrada bem tranquilo, curtindo um som e um gigantesco engarrafamento. De acordo com os mecânicos, tudo ok! Só tive que trocar bateria, calibrar pneus e já era, praia em "nóis"!
31/12/08 - 13:00 - Manolo sai do trabalho, já com mala e cuia, gelo e ceva, salgadinhos e a champanhota da virada. Como já havia passado no posto, abastecido o carro e verificado tudo o que era necessário, seguimos viajem felizes e contentes.... Trânsito intenso, sem congestionamentos, pessoas estressadas, carros abarrotados com tudo o quera coisa... Lembro de um que tava tão cheio, mas tão cheio, que o motorista não tinha a visão do retrovisor, pois eram tantas cabeças, tantos travesseiros, tantas tralhas, que a "mulé" que estava na carona levava uma vassoura com o cabo para fora da janela e um ventilador no colo! Pode?
Logo chegamos no primeiro pedágio, pagamos a absurda tarifa e menos de 4 km depois, um engarrafamento parava o trânsito. Até aí, tudo ótimo, afinal já esperávamos não um, mas vários engarrafamentos. Engata a primeira, pára, engata a primeira, engata a segunda, pára, engata a primeira, pffff, tum, ploc, tssssss, o carro apagou. Dei a ignição, nada! Dei a ignição de novo, nada! Empurramos para o acostamento. Fudeu o cú do palhaço!! Peguei o celular para ligar para a Concepa (empresa que administra a Free Way). Quando olho pelo retrovisor, no meio do engarrafamento, vejo um guincho da Concepa vaziozinho. Ataquei o caminhão como se fosse um táxi. Ele parou, desceu, perguntou o que tinha ocorrido e guinchou o carro até a oficina mais próxima, localizada na cidade de Glorinha. Foi pura sorte, enquanto seguíamos viajem lá de cima do guincho, via muitos e muitos carros parados nos acostamentos com os capôs abertos. Cada guincho era disputado a tapas, enfim, estávamos salvos.
Chegando em Glorinha, uma oficina da Concepa cheia de carros estragados e um mecânico, isso mesmo "um" só. Ao perguntar ao mecânico se tinha mais profissionais para lhe ajudar ele me informaou que um mecânico não havia aparecido para trabalhar e outro estava preso no congestionamento. Não me restava nada além de esperar... cerca de 1h depois chega o outro mecânico, que começa a analisar meu carro. - Hummmm, isso parece sugeira no cabo da puta que pariu! - diz o mecânico. - Ah não, é bateria!! Aí eu disse que não podia ser bateria, pois havia trocado não fazia 5 dias. Ele me respondeu que era bateria sim, pois ela estava carregada, mas quando dava o arranque no carro ela caía, fazendo com que o carro não pegasse. Bem, se era bateria, é muito simples, compro uma bateria nova, certo? Certo, o problema é que eles não tinham bateria na oficina e sugeriram que eu acionasse meu seguro e voltasse para Porto Alegre, pois era certo que eu ficaria na estrada. Porém, disse que eu poderia seguir com o carro, mas ele apagaria quando ficasse muito quente. Quando esfriava, podia ligar na boa e seguir o baile! E agora?? Quem poderá me defender??? Foi aí que um ajudante dos mecânicos me deu uma idéia: - Cara, to com minha moto aqui, sobe na garupa e vamos para o centro de Glorinha tentar encontrar uma bateria! Que idéia!!! Era minha única alternativa!! Foi aí que fizemos um tour pela cidade de Glorinha. A cidade tem um posto de gasolina, uma sorveteria, uma oficina mecânica e foi o que consegui contar, nada mais. Cheguei até pensar que era uma emboscada para me tirar dinheiro ou coisa pior, pois a cada beco, a cada mato, meu coração disparava.... Não encontramos a tal bateria, mas um dos dois frentistas do posto tinha uma "novinha, novinha" e me fazia o valor de 50 pilas para quebrar meu galho! Ok, mas como vou pagar 50 reais uma bateria que nem sei se funciona? Levo e testo, se funcionar deixo o dinheiro com o cara da moto, se não funcionar, deixo a bateria com o cara da moto, ok??? OK... trepei na moto e fomos para a Concepa novamente tentar a bateria. (Enquanto isso, Manolo bebia nossas long neck naquele calorão. Eu já não podia beber, estava "dirigindo")... testamos a bateria e nada, nada, nada... Quer saber?? Já que o carro esquenta, apaga, esfria, liga... seguimos viajem até Osório pelomenos, lá chamo um chamo meu seguro para levar o carro a Porto Alegre e alugo um carro para seguir viajem... Chegamos na estrada, mais um engarrafamento e tudo voltou ao normal. Primeira, pára, primeira, segunda, pára. Carro pagava, acostamento, esfriava, ligava, e assim sucessivamente até Osório...
Chegamos em Osório umas 20h. A cidade parecia cidade-fantasma, nada nem ninguém nas ruas, parecia filme... Chegamos em uma praça central, onde se encontra uma Igreja matriz, assim como todas as cidades do interior. Pedi informações para um único taxista que estava na praça e um engraxate. Nada! Tudo fechado! Azar, chegamos até aqui, seguimos viajem...
Graças ao GPS, encontrei um caminho alternativo para fugir do trânsito, o que deixava o carro mais quente e automaticamente, parando mais. Enquanto isso, o pessoal que já estava na praia, ficavam ligando. - Chegaram? - Não! - E agora?? - Nada!!!
Encontramos um caminho por Morro Alto. meu medo era que essa estrada não tem nada nem ninguém. Ou seja, se o carro parasse de vez, nosso reveillon seria no meio de uma estrada com mato dos dois lados, a base de cerveja e champagne quente! Seguimos...
31/12/08 - 22h30min - Avistamos a placa "bem vindos a Capão da canoa"! Nem acreditei. Mas a 50m da placa mais uma pane no carro. Esfriou, ligou, fomos para a pausada tomar um banho e seguir a pé até a casa da Débora, onde seria o churrasco do reveillon.
31/12/08 - 23h15min - Chegamos no apartamento da Débora. Cansados, exaustos, estressados... Falta cerveja? Vamos comprar! Fomos em uma merceria mais próxima, quando o Manolo vai pegar a cerveja, uma garrafa cai no chão e quebra. Bem, ae começou mais um tumulto, pois o dono do bar obrigava a gente a pagar a cerveja quebrada alegando que lá não era a Capital, onde não se pagava pelo que quebrasse. Bate boca daqui, bate boca de lá, chegamos no apartamento umas 23h30min. Todos sentados em volta da mesa comendo, comendo e comendo, tudo muito rápido, devorando tudo o que viam pela frente. Não entendia o motivo da pressa, pois o melhor, pra mim é que já estava lá, depois da desgastante viajem.... Ah sim, fogos, fogos, fogos, vamos assistir aos fogos na beira da praia. Ok, comi um pedacinho de salsichão e fomos para a praia. A virada aconteceu no meio da rua, antes mesmo de chegar à praia, onde se encontrava uma multidão sem um lugarzinho sequer na areia... pelomenos temos os fogos para assistir!!
01/01/09 - 24:01/24:02 - Ploc, ploc, ploc... meia duzia de fogos e lá se foi o ano, o pior final e o pior início de ano da minha vida.
Não sei se o problema sou eu ou as pessoas. Não quero mais ser um ser-humano, quero ser uma barata, um cachorro, um cascudo, uma pedra, que seja.... Tudo é problema, tudo é stress, tudo é interesse, tudo é mentira,...
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